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Benito Di Paula e sua trajetória cruzada com o universo do rock| Rádio RockBack FM

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O cantor e pianista Benito Di Paula faleceu aos 84 anos em São Paulo, deixando uma trajetória marcada por grandes sucessos e conexões curiosas com o rock. Ao longo de sua carreira, o artista passou por bandas de baile, comparou-se a lendas do piano e defendeu a grandiosidade de ícones como Beatles e Rolling Stones.

Benito Di Paula e sua trajetória cruzada com o universo do rock

A Rádio RockBack FM traz os detalhes da despedida de Benito Di Paula, que faleceu na noite do último domingo, aos 84 anos, na cidade de São Paulo. O cantor, compositor e pianista estava internado no Hospital 9 de Julho e não resistiu a complicações decorrentes de um câncer. Nascido Uday Vellozo em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, em 28 de novembro de 1941, ele marcou época nas paradas musicais dos anos 1970 com clássicos como "Retalhos de Cetim", "Charlie Brown" e "Mulher Brasileira", e estaria prestes a completar 85 anos no mês seguinte. Embora tenha construído sua carreira como um dos grandes nomes do samba romântico ao piano, a trajetória de Benito cruzou com o universo do rock em momentos inesperados e curiosos. O primeiro ponto dessa relação remete ao início de sua jornada artística. Antes de registrar seu primeiro álbum, ele trabalhou como crooner de banda de baile, período em que interpretava um repertório diversificado que transitava livremente entre o rock e o bolero, conforme registros do jornal Tribuna do Norte. As boates cariocas e as casas noturnas de Santos e São Paulo serviram de aprendizado para o músico autodidata. O segundo ponto de conexão envolve a comparação inevitável com um dos maiores pianistas da história do rock mundial. Em uma entrevista concedida ao site Scream & Yell no ano de 2021, o jornalista Daniel Tavares questionou se Benito se enxergava como uma espécie de Elton John brasileiro, visto que ambos colocaram o instrumento em evidência em estilos musicais onde ele raramente ocupava o centro. A resposta do sambista foi direta, demonstrando grande respeito pelo astro britânico ao afirmar que ele é muito melhor, tanto na execução ao piano quanto na composição. Na mesma ocasião, Benito mencionou grandes parcerias de palco, como Ella Fitzgerald e Sarah Vaughan, e revelou ter tocado com músicos ligados ao festival de Woodstock anos após a realização do evento histórico. O terceiro ponto dessa ponte com o rock surge em uma conversa com o jornal Estado de Minas em 2013. Ao relembrar que recebeu uma homenagem de Luiz Gonzaga na música "Chapéu de Couro e Gratidão", lançada em 1977, Benito brincou que nem mesmo os Beatles tiveram tal privilégio, o que, em tom descontraído, o tornaria mais importante que a banda britânica. Em diálogo com a repórter Ana Clara Brant, ele também utilizou o próprio peso de gigantes do rock para rebater o rótulo pejorativo de brega que lhe foi atribuído por décadas. Para ele, qualquer artista com público é popular, citando diretamente os Rolling Stones e os Beatles para exemplificar que não existe distinção hierárquica entre a música voltada para diferentes classes sociais. Nos anos 1970, o estilo único de Benito chegou a rivalizar nas paradas de vendas com Roberto Carlos, artista que surgiu no movimento da Jovem Guarda e chegou a gravar composições do pianista. Em 2026, o músico integrava o projeto "Benito 85", que contava com apresentações ao vivo e um álbum em parceria com seu filho, Rodrigo Vellozo, além de colaborações com artistas da cena paulistana. A partida do pianista gerou comoção, com despedidas emocionadas de familiares nas redes sociais e homenagens de colegas como Zeca Baleiro, que havia dividido o palco com ele em julho.

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