Em entrevista, o vocalista Bruce Dickinson destacou sua preferência pelo Dream Theater entre os grupos influenciados pelo Iron Maiden. A relação entre os artistas inclui abertura de shows em 1992, participações especiais e até um convite recusado para assumir os vocais da Donzela de Ferro.
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O universo do heavy metal é repleto de conexões históricas e influências mútuas entre grandes ícones da música pesada. Embora a sonoridade do Iron Maiden possa ser ouvida em inúmeras bandas surgidas ao longo das últimas décadas, o vocalista Bruce Dickinson revelou que não costuma se interessar por grupos que apenas replicam o estilo de seu próprio grupo. Questionado por veículos especializados sobre qual seria seu nome favorito entre aqueles influenciados pela Donzela de Ferro, o cantor apontou os americanos do Dream Theater, cuja admiração mútua e relação profissional remontam a muitos anos antes de tais declarações.
Em conversa com a revista Revolver, posteriormente repercutida pelo portal Rock And Roll Garage, o frontman detalhou os motivos de sua preferência pelo grupo dos Estados Unidos, conhecido amplamente por suas faixas longas e estruturadas, além do impressionante virtuosismo instrumental de seus integrantes. O principal ponto de destaque para Dickinson foi a capacidade que a banda teve de construir uma identidade artística própria e autêntica. De acordo com o vocalista, o grupo cria canções excelentes e entrega performances ao vivo de altíssimo nível, destacando justamente o fato de seguirem seu próprio caminho sem soar como uma cópia do Iron Maiden. Na mesma oportunidade, ao ser questionado sobre sua preferência entre formações que não receberam influência de sua banda, o cantor elegeu o Deep Purple de 1971, exaltando a entrega e a técnica dos músicos daquela fase.

A admiração de Bruce pelo Dream Theater, contudo, é antiga e vem de longe. No mês de junho de 1992, pouco antes do lançamento do icônico álbum Images and Words, os músicos americanos receberam a chance de abrir os concertos do Iron Maiden. O vocalista James LaBrie relembrou anos mais tarde, durante uma participação no Everyman Podcast em 2020, que o próprio Dickinson surpreendeu a todos ao subir ao palco após a performance dos novatos para tecer rasgados elogios públicos. Na ocasião, o cantor britânico conclamou o público a aplaudir a banda de abertura, chamando-os de incríveis, um momento que marcou profundamente os integrantes do grupo novato.
A proximidade entre os artistas gerou diversos momentos memoráveis ao longo do tempo. Em meados da década de 1990, Dickinson comandava um programa de rádio na rede britânica BBC e convidou membros do Dream Theater para uma jam session onde executaram juntos a faixa Perfect Strangers, do Deep Purple. Anos mais tarde, em 1998, o vocalista participou como convidado especial de um concerto do grupo norte-americano realizado em Los Angeles, onde emprestou sua voz a clássicos atemporais do Iron Maiden, a exemplo de The Trooper, Where Eagles Dare e Killers.
A história compartilhada entre as partes guarda ainda um episódio bastante curioso e revelador sobre os bastidores da música pesada. Quando Bruce Dickinson se afastou do posto de vocalista do Iron Maiden no ano de 1993, James LaBrie chegou a ser sondado para assumir os vocais da lendária banda britânica. No entanto, o cantor optou por recusar a oportunidade. A decisão foi motivada pela sua forte crença no potencial e no futuro do Dream Theater, além do receio de passar o resto de sua carreira artística preso à interpretação de canções eternizadas por outro artista. Curiosamente, essa escolha reflete com precisão a independência artística que Bruce tanto elogiava e admirava nos americanos: a firme disposição de traçar e seguir a sua própria trajetória na música.
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