O jornalista e crítico musical Regis Tadeu analisou a apresentação do Iron Maiden na capital paulista pela turnê comemorativa de 50 anos. Durante sua avaliação, ele comentou sobre o ritmo das músicas na abertura, a atuação do baterista Simon Dawson e a indicação anterior feita por Nicko McBrain.
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A passagem do Iron Maiden pelo Brasil com a turnê "Run for Your Lives", que comemora cinco décadas de trajetória da banda, rendeu análises detalhadas no cenário musical. O grupo realizou um show no domingo (25), em São Paulo, evento que atraiu o jornalista e crítico musical Regis Tadeu. Em um vídeo publicado em seu canal oficial no YouTube, o profissional destrinchou os pontos altos e baixos do espetáculo, destacando a energia geral dos músicos, mas levantando discussões importantes a respeito da execução instrumental e escolhas de formação.
Logo no início da avaliação, o foco recaiu sobre o repertório de abertura da apresentação. Segundo as observações do crítico, faixas clássicas como "Murders in the Rue Morgue", "Wrathchild" e "Killers" foram tocadas com andamentos notavelmente mais lentos em comparação com as versões registradas em estúdio. Na visão de Regis, essa desaceleração acabou atenuando a agressividade típica dessas composições primitivas da banda, embora o impacto negativo não tenha sido suficiente para arruinar a experiência global do público presente.

Essa mudança no ritmo levou a uma discussão inevitável sobre o comando das baquetas. Simon Dawson, músico contratado para cobrir as ausências e turnês de Nicko McBrain, foi o centro dessa pauta. O jornalista pontuou que Dawson garantiu estabilidade rítmica para o grupo, mas ponderou que falta ao baterista a pegada ideal para dar conta de trechos mais exigentes do repertório clássico. No entanto, houve uma defesa enfática ao músico diante de possíveis críticas precipitadas dos fãs. Para o crítico, seria um equívoco responsabilizar Dawson pela desaceleração, já que o ritmo executado no palco reflete estritamente as diretrizes impostas pelos demais integrantes e pelo líder e fundador do grupo, Steve Harris. Além disso, notou-se que o baterista optou por simplificar algumas viradas tradicionais, seguindo orientações internas da equipe.
Apesar de isentar o atual substituto de culpa total, o especialista em música apontou que a instituição britânica perdeu uma grande chance no processo de sucessão de McBrain. Foi relembrado que o próprio ex-baterista mencionou em sua autobiografia o nome do brasileiro Aquiles Priester, ex-integrante do Angra, como uma sugestão viável para o posto. Para o analista, a escolha por Priester teria agregado muito mais velocidade, peso e técnica superior ao som ao vivo da Donzela de Ferro.
Nem só de críticas, contudo, viveu a avaliação. A performance vocal de Bruce Dickinson mereceu destaque positivo: após um início considerado mais contido, o vocalista atingiu seu auge técnico a partir da execução de "Phantom of the Opera". Outros pontos exaltados envolveram a precisão cirúrgica do trio de guitarristas, o vigor físico e musical do baixista Steve Harris, além de uma imersão visual impressionante garantida pelos painéis de LED modernizados, com forte apelo cênico durante "Rime of the Ancient Mariner".
Em suma, o balanço da performance na capital paulista foi definido como uma celebração nostálgica bem-sucedida, que naturalmente reflete a passagem do tempo e a idade dos membros. O veredito final apontou que, apesar de ressalvas técnicas cruciais sobre a intensidade perdida em algumas faixas e a escolha do baterista, o Iron Maiden continua entregando apresentações de altíssimo nível nos palcos.
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