O lendário baterista do Rush, Neil Peart, manteve uma perspectiva única sobre Ringo Starr, dos Beatles. A relação entre os estilos musicais reflete filosofias distintas na bateria, destacando as verdadeiras influências de Peart na juventude.
.png)
Na programação da Rádio RockBack FM, as grandes discussões do mundo da música sempre ganham espaço. Desta vez, trazemos aos nossos ouvintes uma análise detalhada sobre a curiosa e sincera opinião que Neil Peart, emblemático baterista do Rush, nutria em relação a Ringo Starr, o icônico homem das baquetas dos Beatles. Embora ambos tenham alcançado o estrelato mundial através do rock, suas abordagens ao instrumento pertencem a escolas quase opostas. Enquanto Ringo marcou época tocando a serviço da música, primando pela economia e precisão, Peart construiu uma trajetória lendária pautada na técnica, na complexidade rítmica e na busca incessante por novos desafios musicais. Devido a essa divergência de caminhos, não causa espanto o fato de Peart jamais ter colocado Ringo no topo de suas maiores referências na bateria. Os detalhes sobre essa percepção foram revelados pelo próprio músico em seu livro intitulado Traveling Music. Nela, o integrante do Rush recorda que, na infância, até apreciava algumas faixas do quarteto de Liverpool, tendo inclusive consumido discos da banda e imitado o corte de cabelo e as vestimentas características da época, tal qual tantos outros jovens de sua geração. Contudo, ele mesmo fez questão de admitir que jamais nutriu o desejo de se tornar o Ringo Starr. A faísca primordial que despertou seu interesse definitivo pela bateria originou-se em outra direção. Segundo relatos do próprio baterista, o impacto decisivo ocorreu quando ele assistiu ao filme The Gene Krupa Story, aos 11 ou 12 anos de idade. Foi a partir da figura de Gene Krupa, e não de Ringo, que nasceu a sua real vontade de levar a execução do instrumento a sério, conforme relembrado pela Rock and Roll Garage. Além disso, Peart costumava pontuar uma clara separação conceitual entre optar por tocar de forma simples por escolha própria ou soar simples devido a limitações técnicas. Para ele, um instrumentista com pleno domínio técnico tinha a prerrogativa de escolher a economia em suas levadas, enquanto outro poderia parecer simplista apenas por incapacidade de executar algo mais elaborado. Esse raciocínio esclarece perfeitamente o motivo pelo qual seus verdadeiros heróis musicais incluíam nomes de peso como Gene Krupa, Buddy Rich, John Bonham, Keith Moon e Michael Giles. Isso não significa que Ringo Starr fosse alvo de desprezo por parte do músico do Rush. O que de fato existia era uma profunda divergência filosófica. Enquanto Peart dedicou sua carreira a buscar o domínio técnico absoluto, a expansão constante de seu vocabulário rítmico e a execução de solos altamente elaborados, Starr ficou consagrado por priorizar a canção e evitar exibições gratuitas de virtuosismo. Anos mais tarde, o baterista do Rush ainda chegou a protagonizar momentos de descontração ao brincar com a famosa e recorrente discussão sobre a autoria das partes de bateria em certas faixas dos Beatles. Ao comentar sobre a música The End, chegou a sugerir de forma espirituosa que Paul McCartney poderia ter assumido as baquetas na gravação, embora tenha esclarecido imediatamente que tratava-se apenas de uma piada. Em suma, a perspectiva de Neil Peart a respeito de Ringo Starr nunca representou um julgamento depreciativo sobre sua qualidade artística, mas sim uma firme declaração de identidade musical. Ele recusava a ideia de ser o baterista que entregava apenas o mínimo necessário, preferindo desde os primeiros anos de sua jornada explorar até onde as fronteiras de seu instrumento poderiam levá-lo. Fique ligado na programação da RockBack FM para mais curiosidades sobre os grandes nomes da história do rock e do heavy metal.
🎸 Top Rock — Rádio RockBack FM
Ouça a seleção especial da Rádio RockBack FM 📻🎸